terça-feira, 16 de junho de 2009

OS SETE PASSOS DO BRUXO



A palavra bruxo significa “aquele que sabe” que é outra maneira de dizer “aquele que está acordado” o que não determina uma condição perene e sim, uma arte a ser exercitada durante toda a vida ou até que seja atingida a iluminação, o grande satori, quando a gota toma consciência que é o oceano.
Para que o estado de bruxo raiz seja atingido os sete passos a seguir são fundamentais:
Primeiro passo: O iniciado reconhece que perdeu o poder sobre a sua própria vida para influência do mundo externo. Ele reconhece que perdeu a inocência. Reconhecer que o pensar, sentir e suas ações são determinados pela aceitação ou rejeição do mundo externo é vital para que esta postura possa ser transcendida através da vigília e oração constantes.

Segundo passo: O iniciado passa a reestruturar o ego para que o mesmo possa ser superado pelo centro. Um ego fragilizado, doente, bloqueando a vontade superior do ser impediria o terceiro passo, por isso o iniciado estrutura a sua vida íntima, profissional, social e cultural afim de que, com o ego fortalecido, possa ele tomar a decisão pelo caminho.

Terceiro passo: O iniciado se torna um buscador. A razão pura e simples e as satisfações meramente materiais, intelectuais e emocionais não mais o preenchem e ele segue o desejo natural de tocar a plenitude e o contentamento do espírito. Livros, viagens, estudos, meditações, reflexões, vivencias, contatos... Fazem parte deste passo.

Quarto passo: O iniciado torna-se um amante de Deus, pois descobre que só na paixão pelo superior e por sua obra ele é capaz de sentir a satisfação que busca. O encontro torna o sentido da religião totalmente superior à compreensão anterior, agora religião é o que aplaca a sua solidão profunda e ele sente que assim a solidão do próprio Deus também chega ao fim. Ao reconhecer que ele, o iniciado, é tão importante para Deus quanto este é para ele, um novo ser floresce, um amante divino, marcado pelo forte brilho no olhar e por uma vontade pura e superior.

Quinto passo: Tendo compreendido que ambos, o iniciado e Deus, só existem em unidade, o bruxo torna-se Deus, ou seja, reconhece que cada átomo é Divino e que nunca houve de fato separação, a qual somente existiu no mundo intelectual. O amor próprio então é encontrado e com ele todas as possibilidades dentro e fora da Magia se tornam criadoras. O poder... assim é reconhecido sem o tombo da lua, que é a falsa impressão de poder sobre os outros e até mesmo sobre os Deuses, pois com este reconhecimento nasce a compreensão de que todos os seres e coisas possuem o poder, que este é comum a tudo o que existe. Esta é a verdadeira humildade, a mais profunda.

Sexto passo: Como dizem os teóricos, o humano é um bicho social. Enxergar e entrar para uma concha é ter enxergado apenas a metade da verdade. O iniciado se torna neste passo co-autor da vida e começa a criar o mundo a sua volta e os seus gestos não são mais ditados pela aceitação ou rejeição do mundo externo. O iniciado aqui imprime uma consciência despertada acima do moralismo e tradicionalismo. O bruxo é então agora um rebelde, um transformador do mundo, não mais o inconformado ou conformado, agora ele está presente.

Sétimo passo: Rir, este é o sinal de que a verdade foi encontrada, a verdade de que o mundo em que vivemos é como um teatro, que pode ser mudado se escolhermos melhores ou piores papéis, se utilizarmos o nosso dom de escolher este mundo que enxergamos é como argila manipulada pelas mãos. Basta fazer com amor e dedicação e tudo será obra de arte. Quando o riso brotar da sua consciência, do seu centro e não de compressões intelectuais, então os sete passos foram completados. Agora resta apenas seguir o preceito do mestre maior: “Orai e vigiai”.

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